Dois dos maiores escritores de todos os tempos são William Faulkner e Marcel Proust.
Para Proust, no “Em busca do tempo perdido”, o tempo passado nunca é recuperado. As personagens sofrem os efeitos de abandonarem coisas que jamais recuperarão. Palavras não ditas, sentimentos não expressados. Tudo foi perdido.
Para Faulkner, em “O Som e a fúria”, o tempo passado sempre está presente. As escolhas, angústias, tristezas, assolam as personagens no presente. O passado integra o agora, e nunca ninguém está livre daquilo que fez.
São concepções distintas do tempo. Ambas interessantes, mas nenhuma completa.
É nas Confissões de Agostinho que encontramos uma correta concepção dos atos passados e sua inferência no tempo presente: “Os bons têm prazer em ouvir as faltas passadas de que agora estão livres, não pelo fato de serem faltas, mas porque, tendo existido, já não existem”.1
Muitos choram porque acreditam que as coisas boas ficaram no passado e não serão recuperadas; outros, porque suas atitudes más do passado ainda têm efeito hoje. O cristão maduro, contudo, sabe que seu passado foi perdoado e redimido, e “esquecendo-se das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante, prossegue para o alvo, a fim de ganhar o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus”. (Fp 3.13-14)
A salvação que nosso Deus dá nos alcança no passado, presente e futuro. Ele é o Senhor do tempo.
1AGOSTINHO. Confissões. Editora Paulus. 2015. p. 271.
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Por: Rev. Estevam Herculano Almeida Machado