A angústia e a agonia de Davi estavam tão intensas que ele só pensava em fugir: “[…] quem me dera ter asas como a pomba! Voaria e acharia descanso. Eis que fugiria para longe e ficaria no deserto” (Salmo 55.6-7).
Quem nunca sentiu vontade de fugir? É consolador para nós sabermos que gigantes espirituais, tais como Elias e Jeremias, tiveram esta mesma vontade.
A fuga para fora foi, com efeito, uma fuga para dentro, para a fantasia. Geralmente o medo causa duas reações: fuga ou paralisia. No caso de Davi, o medo mobilizou a imaginação. Quantas vezes o homem invejou a ave pela sua capacidade de voar; a fantasia fez os gregos inventaram Ícaro antes da engenharia inventar a aeronáutica.
Por um tempo Davi consegue fugir do problema através da imaginação, contudo, o problema era tão grande que chegou a invadir o próprio sonho de Davi: ele estava lá bem sossegado imaginando-se como uma ave quando o vendaval e a procela, ou seja, a tempestade, o alcançam (Salmo 55.8). Problemas difíceis têm essa característica de conseguir nos perseguir até mesmo nos sonhos.
A combinação de oração com imaginação fez muito bem para Davi. No final do Salmo 55, cheio de temores e decepções, o homem vai retomando suas certezas e convicções a ponto de afirmar: “Confia os teus cuidados ao Senhor, e ele te susterá; jamais permitirá que o justo seja abalado” (Salmo 55.22).
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Por: Rev. Thales Renan Augusto Martins