Já não estou no mundo, mas eles continuam no mundo, enquanto eu vou para junto de ti. Pai santo, guarda-os em teu nome, que me deste, para que eles sejam um, assim como nós somos um. Quando eu estava com eles, guardava-os no teu nome, que me deste; eu os protegi e nenhum deles se perdeu, exceto o filho da perdição, para que se cumprisse a Escritura. João 17:11,12
Você pode se lembrar do dia em que Deus perguntou a Caim onde estava Abel? Lembra-se da resposta dele? Ele respondeu: – Não sei; por acaso sou o guardador do meu irmão? (Gn 4:9). Na verdade, essa tendência de cuidar da própria sobrevivência e justificar-se, veio dos pais de Caim, quando, lá no jardim, nenhum deles quis assumir sua culpa ou defender o outro assumindo sua responsabilidade. Ao contrário, mediante a entrada do pecado no mundo, ali se tornou evidente e constante a frase “o problema não é meu”.
Desde então a humanidade se recusa a assumir qualquer responsabilidade, até porque se tornou incapaz e não pode garantir proteção contra a própria iniquidade e contra as hostes espirituais da maldade, excetuando Aquele que venceu a todos os inimigos de Deus – Jesus Cristo. Veja o que diz Paulo a respeito disto: E quando vocês estavam mortos nos seus pecados e na incircuncisão da carne, ele lhes deu vida juntamente com Cristo, perdoando todos os nossos pecados. Cancelando o escrito de dívida que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, cravando-o na cruz. E, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando sobre eles na cruz. (Cl 2:13-15)
No texto de nossa reflexão de hoje, Jesus afirma em sua oração sacerdotal que guardou seus discípulos enquanto estava com eles e os protegeu do maligno e da maldade, ainda que eles fossem muito frágeis na fé (Mt 6:30; 8:26; 16:8). Prestes a ser crucificado, intensificou seu pedido ao Pai, para que Ele os guardasse em Seu próprio nome. Eles seriam tentados. Seu espírito estava pronto, mas sua carne era fraca. À vista da crueldade contra o Senhor Jesus eles não suportariam o medo e o desânimo se não fossem guardados. Os avisos antecipados que Jesus lhes dera sobre sua aparente derrota não seriam suficientes para guardá-los. A perplexidade tomou conta de todos e eles fraquejaram.
Mesmo sob muita tensão, os discípulos de Cristo foram guardados. Ninguém se perdeu, exceto o filho da perdição para que se cumprissem as Escrituras. Não devemos imaginar que seríamos diferentes dos primeiros discípulos. Somos frágeis por nós mesmos. Somos vasos de barro. Os escritores do Novo Testamento entenderam isto depois da chegada do Espírito Santo e nos ensinam: Portanto, sujeitem-se a Deus, mas resistam ao diabo, e ele fugirá de vocês. (Tg 4:7). Sejam sóbrios e vigilantes. O inimigo de vocês, o diabo, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar. Resistam-lhe, firmes na fé, certos de que os irmãos de vocês, espalhados pelo mundo, estão passando por sofrimentos iguais aos de vocês. (1Pe 5:8,9).
Como vemos, a força do salvo para vencer as tentações e as hostes da maldade está no Senhor, e não nele. Já dizia o salmista: O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra. Ele não permitirá que os seus pés vacilem; não dormitará aquele que guarda você. É certo que não dormita, nem dorme o guarda de Israel. O Senhor é quem guarda você; o Senhor é a sombra à sua direita. (Sl 121:2-5). Entretanto, para que sejamos mais que vencedores, precisamos orar ao Senhor para que nos livre das tentações e nos guarde do poder das trevas. E, como Paulo, ousemos dizer: O Senhor me livrará também de toda obra maligna e me levará salvo para o seu Reino celestial. A ele, glória para todo o sempre. Amém! (2Tm 4:18).
Foto: Freepik
Por: Rev. Wilson do Amaral Filho