“Quem dera a minha cabeça se tornasse em águas, e os meus olhos, em fonte de lágrimas! Então choraria de dia e de noite os mortos da filha do meu povo.” (Jr 9.1)

Há muitos motivos justos pelos quais chorar. O sofrimento intenso causado por uma doença, a tristeza decorrente do luto, a lembrança de alguém que está distante… são todas situações recorrentes que levam pessoas às lágrimas.

O motivo do pranto do profeta Jeremias era a desolação que viria sobre Judá. O próprio Deus seria responsável por trazer um inimigo a seu povo, que fora infiel (Jr 5.15). Judá seria tomada dentro de pouco tempo. E sabe qual é o pior disso tudo? Jeremias estava sendo usado por Deus para anunciar esse julgamento divino a seus compatriotas, sofrendo não apenas pelo juízo futuro que viria, mas também pela rejeição que sofria entre os seus no presente, por aqueles que não aceitavam sua mensagem de arrependimento.

Diante disso, o profeta lamenta. Pranteia. Chora. E o faz justamente, mostrando a todo cristão que, em tempos de calamidade, quando a dor assola o coração, derramar lágrimas diante do Senhor é a coisa certa a se fazer.

O servo de Deus deve encontrar refúgio nos braços do Altíssimo. O Deus presente, que ouve cada oração angustiada, proporciona alívio ao coração aflito, concedendo a medida certa de graça que o impedirá de desistir. É no tempo de mais profunda aflição que o cristão compreende que “não há dor que seja sem divino fim”, uma bela verdade expressa pelo antigo hino.

Certamente, há muito de Deus para experimentar nesses períodos de dor; afinal, há graça disponível, suficiente para que o filho de Deus se reerga e continue sua caminhada cristã. Mesmo à beira do desespero, o crente deve confiar no Senhor e ecoar as palavras de uma das belas orações presentes no livro “O Vale da Visão”:

“Guiaste-me e vi que tuas promessas são verdadeiras,

estive entristecido, mas foste o meu auxílio,

temi, mas me livraste,

desesperei-me, mas me ergueste.

Teus votos estão sempre sobre mim, e eu te louvo, ó Deus.”

Que o Deus consolador te fortaleça e enxugue suas lágrimas!

¹ O Vale da visão. Uma coletânea de orações puritanas. Trad. Márcio Santana Sobrinho. Editora Monergismo. DF, Brasília. 2020. p. 27.

Foto: Igniter

Por: Rev. Estevam Herculano

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