Jesus respondeu: — Em verdade, em verdade lhe digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus. […] Jesus respondeu: — Em verdade, em verdade lhe digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus. João 3:3,5.
O evangelista João descreve a visita noturna de Nicodemos a Jesus no capítulo três de seu evangelho. Tratava-se de uma autoridade judaica, um mestre de Israel e fariseu, cuja visão acerca de Jesus o impressionava muito. Para ele, Jesus viera da parte de Deus e operava sinais segundo a vontade divina.
A verdadeira religião, para Nicodemos, dependia do mérito próprio. A lei de Moisés era apenas uma parte de suas obrigações religiosas. Havia muito mais: a lei oral e seus preceitos, os ritos de purificação, a guarda do sábado etc. Enfim, viver como um crente fariseu era um fardo muito pesado e exigia rigor absoluto! Assim, poderia se transformar facilmente numa religião de aparência e hipocrisia. Puro teatro religioso!
Nesse encontro, logo de início, Jesus foi direto ao ponto: sem um novo nascimento, da água e do Espírito, nenhum ser humano pode ver ou entrar no Reino de Deus. O esforço religioso não é e nunca será suficiente.
Nicodemos então pergunta: — Como pode um homem nascer, sendo velho? Será que pode voltar ao ventre materno e nascer uma segunda vez? Parece ser uma pergunta retórica, mas identifica a impossibilidade de salvação pelas próprias obras. Ou seja, tudo quanto fiz até aqui não vale? Tenho de recomeçar minha vida para, a partir de agora, agradar a Deus com minhas obras?
Essa perplexidade e impossibilidade são reais. O que precisamos fazer para agradar a Deus com nossa vida? Começar a viver novamente do zero e tentar ser diferentes? Isto não funciona e não é o que o Senhor quer e propõe!
Jesus propõe a Nicodemos, e a nós, a condição do “nascer de cima”, “nascer de Deus”, por meio da água e do Espírito. Somente em Deus está a nossa salvação e não por obras, para que ninguém se glorie (Ef 2:8,9).
Nicodemos estava acostumado com o batismo, pois utilizava a água para seus rituais de purificação e batismo de prosélitos, mas neles não havia a ideia de arrependimento e a necessidade de conversão. Jesus mostrou-lhe a vida nova: não importando a idade da pessoa, esta precisa ser tratada pela graça de Deus.
Precisa receber a transformação do coração mediante arrependimento e fé em Jesus Cristo, produzida e confirmada pelo Espírito Santo; confessar publicamente sua fé no Senhor pelo batismo em água e seguir, vivendo o novo, pela graça divina!
A solene afirmação de Jesus a Nicodemos não pode ser mudada por qualquer doutrina de homens. As portas do Reino de Deus foram abertas somente àqueles que creem em Cristo, o Filho de Deus, como Senhor e Salvador de sua vida. Somente pela redenção que há em Cristo é possível vivermos o novo.
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Por: Rev. Wilson do Amaral Filho