Logo que os pais o viram, ficaram maravilhados. E a sua mãe lhe disse: — Filho, por que você fez isso conosco? Seu pai e eu estávamos aflitos à sua procura. Lucas 2.48.

Não é incomum pais “perderem” momentaneamente seus filhos. Quando isso acontece, imaginam de tudo um pouco e nunca para o melhor. E quando os encontram, há um misto de alegria e furor; o desejo de abraçar, de ver se estão bem, e o desejo de castigá-los!

Pois é. Jesus “se perdeu” de Maria e José na festa em Jerusalém, quando ele tinha doze anos de idade. Já era um adolescente, “filho da lei”, e a caminho de se tornar maior de idade perante a cultura judaica de seu tempo. Imagina-se que Jesus nunca dera esse tipo de trabalho a Maria e a José, seu marido. Mas agora…

William Hendriksen comenta: “Note a palavra expressiva de forte emoção: Quando Maria e José o viram, ficaram atônitos [maravilhados (NAA)], como se estivessem “nocauteados”, “chocados”. A exclamação de Maria começa com a palavra filho ou menino. Não é de forma alguma anormal, em conexão com ocasiões profundamente emocionais, que uma mãe ainda hoje se dirija à sua prole exclamando: “menino!”, mesmo que esse filho ou filha tenha atingido a idade de 12 ou mesmo 20 anos. As palavras: “Por que você nos tratou dessa forma?” etc., revelam um misto de surpresa, reprovação e angústia.” (p.230)

Diante da perspectiva da perda, Maria ficou surpresa, angustiada, sem entender bem a resposta de Jesus quando o viu, e com um senso de reprovação manifesto em suas palavras. Embora Maria tivesse gerado o Santo, era uma mãe comum, semelhante a todas as mulheres em que habita o coração de mãe, com filhos gerados ou adotados.

Lucas mostra que Jesus já tinha laços fortíssimos com o Pai aos doze anos. Certamente, nos anos de sua tenra infância, Maria teria orado, falado e cantado com ele acerca do Deus de Israel. Ela o havia educado nos caminhos do Senhor porque cria Nele.

Este fato, adicionado à própria vocação de Jesus, mostra o resultado: E Jesus crescia em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens. (Lc 2.52). Certamente ela aprendeu muito com esse episódio: E a mãe dele guardava todas estas coisas no coração. (Lc 2.51b)

A forma como podemos honrar a mães como Maria é acolhê-las, buscar compreender suas atitudes, como fez Jesus: E voltou com eles para Nazaré e era submisso a eles. (Lc 2.51a), e rogar as bênçãos de Deus sobre todas elas.

Foto: magnific.com

Por: Rev. Wilson do Amaral Filho

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