Em ti esperam os olhos de todos, e tu, a seu tempo, lhes dás o alimento. Salmos 145:15
Você já ouviu falar de pessoas consideradas beneméritas? São aquelas que, pelos serviços prestados, são dignas de reconhecimento, honrarias, aplausos, prêmios, recompensas. Se destacam por oferecerem dinheiro ou serviços em benefício de alguma causa. Geralmente se ouve de personalidades que doam grandes quantias para instituições e causas de natureza social e, por isso, são aclamadas como beneméritas.
Muitos ignoram que o maior benemérito e benfeitor do mundo é o próprio Deus. Sem Ele não haveria vida, nem subsistência, pois tudo provêm de suas mãos dadivosas. Ele criou e renova Sua criação. O Salmo 104 nos ajuda a entender isto: Que variedade, Senhor, nas tuas obras! Fizeste todas elas com sabedoria; a terra está cheia das tuas riquezas. Eis o mar vasto, imenso, no qual se movem seres sem conta, animais pequenos e grandes. Por ele transitam os navios e o Leviatã que formaste para nele brincar. Todos esperam de ti que lhes dês de comer a seu tempo. Se lhes dás, eles o recolhem; se abres a mão, eles se fartam de bens. Se escondes o rosto, eles se perturbam; se lhes cortas a respiração, morrem e voltam ao pó. Envias o teu Espírito, eles são criados, e assim renovas a face da terra. Salmos 104:24-30
Esta descrição nos remete à concepção de um Deus que não para de trabalhar, sempre presente em Sua criação, porém completamente distinto dela. Ele não está no universo, nem o universo é parte dele, como afirma o panteísmo. Também não se desligou do universo, deixando-o seguir por si mesmo, como afirma o deísmo.
As Escrituras nos fornecem a visão de que Ele manifesta sempre Sua vontade e supre o que é necessário para que cada ser vivo, na terra e na água, seja suprido durante sua existência toda. Não há um dia em que isto não aconteça.
Diferentemente do restante da criação, o ser humano está munido de inteligência, não apenas para buscar sustento para si, mas também para processá-lo e, principalmente, pedi-lo a Deus e agradecer ao Senhor por Sua generosidade. Se não fosse assim, por que o Senhor Jesus teria colocado esta frase em sua oração modelo: o pão nosso de cada dia nos dá hoje (Mateus 6:11)? Por que nos manda pedir o pão a Deus todos os dias?
Quando Davi escreveu o Salmo 145, “instruiu a congregação sobre a graça e misericórdia do Senhor para com o homem. Ele é fiel a todas as Suas promessas, Ele eleva os que caem, Ele fornece alimento para todos (cf. Sl 111:5; 132:15; 136:25; 146:7) e Ele satisfaz seus desejos (cf. 145:19). Estas são as características daquele cujo domínio é eterno, razão pela qual Ele é chamado de fiel.” (Ross, A.P. 1985)
Jesus mostrou esse mesmo domínio e fidelidade de Deus em suprir a existência das criaturas, quando ministrava o Sermão do Monte (cf. Mt 6:25-34). Falou das aves e das plantas e de como Deus as mantém. Ensinou que seus discípulos não são gentios que se angustiam por causa de comida, bebida e roupas. Ao contrário, os ensinava a buscar o reino de Deus e Sua justiça, o Seu domínio sobre a vida pessoal e sobre o convívio na sociedade, para que a fidelidade de Deus pudesse ser traduzida em suprimento físico e espiritual, com fartura!
Em ti esperam os olhos de todos, e tu, a seu tempo, lhes dás o alimento. Deus deve ser visto por Seus filhos como o verdadeiro benemérito. Ainda que muitos não queiram admitir que tudo é dele e provém dele, os eleitos se destacam suplicando diariamente Seu auxílio e suprimento. É disto que o Senhor se agrada: que reconheçamos Seu domínio sobre tudo, Sua bondade e fidelidade para conosco. Nada nos faltará. A providência cotidiana de Deus jamais falhará, até que nos recolha e reparta conosco muito mais do que imaginamos.
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Por: Rev. Wilson do Amaral Filho