Bem-aventurado aquele cuja transgressão é perdoada, cujo pecado é coberto. Bem-aventurado é aquele a quem o Senhor não atribui iniquidade e em cujo espírito não há engano. Salmos 32:1,2

Jesus ensinou seus discípulos a pedirem perdão de seus pecados a Deus em sua oração modelo. O objetivo era desenvolver neles a verdadeira comunhão com Deus, porque onde há pecado não confessado e não perdoado a comunhão com o Senhor inexiste.

O profeta Isaías lembra bem disto quando diz em nome do Senhor: Eis que a mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar; e o seu ouvido não está surdo, para não poder ouvir. Mas as iniquidades de vocês fazem separação entre vocês e o seu Deus; e os pecados que vocês cometem o levam a esconder o seu rosto de vocês, para não ouvir os seus pedidos. (Is 59:1,2)

Assim, onde há confissão e súplica pelo perdão, há comunhão com o Senhor e, como diz o salmista, tal pessoa é bem-aventurada, extremamente feliz e abençoada, porque sua transgressão é perdoada e seu pecado coberto. O Senhor não lhe atribui a falta, o erro, a iniquidade. Tal pessoa está em paz com o Deus Eterno!

O que acontece com quem não confessa seus pecados a Deus e não pede Seu santo perdão? Ouçamos a experiência do salmista: Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo o dia. Porque a tua mão pesava dia e noite sobre mim, e o meu vigor secou como no calor do verão (Sl 32:3,4). Percebemos sinais de envelhecimento precoce, peso de consciência, sentimento de reprovação amorosa de Deus e perda da alegria.

O que fazer? Novamente o salmista nos lembra sua experiência: Confessei-te o meu pecado e a minha iniquidade não mais ocultei. Eu disse: “Confessarei ao Senhor as minhas transgressões”; e tu perdoaste a iniquidade do meu pecado (Sl 32:5). Aquele servo do Senhor admitiu diante de Deus suas falhas e fraquezas e recebeu a graça do perdão! Assim, voltou a experimentar a comunhão com o Senhor e a alegria de andar sob Sua misericordiosa graça.

Jesus ampliou o sentido da oração do salmista, estabelecendo o critério pelo qual Deus deve nos perdoar da mesma forma que perdoamos a quem nos deve alguma coisa. Por que não basta o coração arrependido para obter perdão? Porque um coração que pede perdão, mas não perdoa o que lhe fazem, não está verdadeiramente arrependido e tampouco compreende a misericórdia de Deus. Jesus contou a parábola do servo endividado que recebeu perdão de sua dívida, mas não teve a mesma misericórdia com seu conservo. Seu fim foi ser preso e ter de pagar o que havia sido perdoado inicialmente. Não há perdão de Deus quando não estamos dispostos a perdoar o próximo.

Desse modo, a oração de Jesus nos leva a entender quão bem-aventurados são os salvos que pedem perdão a Deus por seus pecados. O Senhor os perdoa e não lhes atribui iniquidade, porque também perdoaram o próximo. Se guardamos mágoa ou ira de alguém, mesmo que saibamos que temos de confessar nossos erros, a oração de Jesus pressupõe que voltemos à comunhão com quem nos ofendeu e pratiquemos o perdão de Deus.

Este é um aspecto da renúncia do eu em favor de Cristo; do tomar a cruz e seguir o Senhor. Pensemos que não é natural um crente ser disciplinado sem trégua pelo Senhor, enquanto poderia ter uma vida de intensa paz e alegria “no” e “com” o Deus de sua salvação. Comecemos e continuemos a perdoar para receber perdão; insistamos em não guardar para nós esse ônus.

Certamente o Senhor nos dará forças para perdoar. Ele trará gozo e paz às nossas mentes e corações. Ele nos fará viver bem-aventuradamente!

Foto: Freepik

Por: Rev. Wilson do Amaral Filho

Left Menu Icon