Ele já mostrou a você o que é bom; e o que o Senhor pede de você? Miqueias 6.8a
A vontade de Deus é muito maior do que um simples desejo. Poderíamos dizer que se trata do conjunto de decretos, estatutos, mandamentos, juízos e todas e quaisquer instruções e exortações que Deus tenha dado aos pais pelos profetas, por Jesus aos seus discípulos, e por sua palavra aos escritores bíblicos.
Nessa vontade de Deus há elementos da criação e da redenção, os quais desconhecemos, em virtude da insondável sabedoria de Deus. Eventualmente, os conheceremos quando estivermos junto ao Senhor. Por enquanto, o que nos diz respeito é esta palavra: — As coisas encobertas pertencem ao Senhor, nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem, a nós e aos nossos filhos, para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei. (Dt 29.29)
Outros elementos foram apropriados para uma determinada época da história humana, como as cerimônias rituais do Antigo Testamento, as quais foram inteiramente substituídas pelo sacrifício vicário do Senhor Jesus, e se tornaram figuras para os cristãos do Novo Testamento. Com elas, podemos aprender a forma como Deus desejava ser cultuado no passado, com sacrifícios de louvor, em condições santíssimas e sinceras, com temor e tremor. Isto não mudou.
Em contraposição, a conduta ética dos filhos de Deus nunca deixou de ser requerida pelo Senhor, sendo absolutamente válida e necessária para os salvos em Cristo e sua santificação pessoal. Assim sendo, a lei moral dada no Monte Sinai continua sendo vontade expressa do Senhor. Jesus não só a confirmou, como também ofereceu o real sentido de suas determinações, a fim de que saibamos identificar o que o Senhor quer de nós.
A benção e o cuidado de Deus sobre seu povo, condicionados à obediência ao Senhor e à Sua Palavra, como revelados no Antigo Testamento, continuam sendo válidos para a igreja até hoje. Igualmente, o princípio da humildade diante do Senhor, evitando o coração soberbo e a desobediência, também continuam válidos para os salvos.
O apóstolo Paulo nos lembra que: a vontade de Deus é a santificação de vocês: que se abstenham da imoralidade sexual; (1Ts 4.3); e Em tudo, deem graças, porque esta é a vontade de Deus para vocês em Cristo Jesus. (1Ts 5.18). Pedro nos lembra que é a vontade de Deus, que, pela prática do bem, vocês silenciem a ignorância dos insensatos. (1Pe 2.15)
Como observamos, fazer a vontade do Senhor compreende muitas coisas. Miqueias pode nos ajudar: Ele já mostrou a você o que é bom; e o que o Senhor pede de você? Que pratique a justiça, ame a misericórdia e ande humildemente com o seu Deus.” (Mq 6.8).
1) Sejamos praticantes da justiça que vem do alto, e não a que é aqui da terra. Os valores humanos estão totalmente prejudicados pela depravação da humanidade. Ainda que pareçam ter algum valor ético, especialmente por causa da graça comum, não alcançam a benevolência do Senhor se não estiverem validados em Cristo. Somente nEle é possível vivenciar a justiça que provém da graça do Senhor.
2) Tenhamos amor pela misericórdia. Sejamos misericordiosos com quem efetivamente precisa de misericórdia. Que tenhamos percepção daqueles que se perdem e dos aflitos e necessitados que buscam socorro, pregando-lhes a Palavra e agindo naquilo que precisam.
3) Andemos humildemente com Deus, nosso Pai e Salvador, e Jesus Cristo, Seu Filho, na força e graça do Espírito Santo. Caminhar ao lado do Senhor todos os dias, com humildade como fazem os anjos, fará com que a boa, perfeita e agradável vontade de Deus faça sentido para nós, e desejemos, com todas as forças que ela se cumpra nos céus e na terra.
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Por: Rev. Wilson do Amaral Filho