O Rev. Erasmo Braga, nomeado pelo Presbitério de São Paulo como responsável pelo trabalho da Congregação Presbiteriana de Jundiaí no ano de 1911, fez o primeiro registro histórico sobre o trabalho presbiteriano na cidade, intitulando-o de “Apontamentos para a história da evangelização em Jundiahy” (LIVRO de Atas da Congregação Presbiteriana de Jundiaí, Vol. 1, p. 1). Nesses apontamentos, Braga afirma que Jundiaí contou com a presença e trabalho do Rev. John Watkins Dabney.
Dabney atuou no Brasil em dois períodos. O primeiro período compreende os anos de 1874 a 1876, onde atuou por dois anos no Colégio Internacional em Campinas. Após esse período, Dabney regressou para os Estados Unidos a fim de estudar no Union Seminary. Concluídos os estudos teológicos, Dabney foi ordenado pelo Presbitério de East Hanover em 28 de abril de 1878, casou-se com Kate Nelson Gregory e retornou para o Brasil em março do ano seguinte. No segundo período de atividade no Brasil, Dabney voltou a trabalhar no Colégio Internacional, chegando a ocupar a função de diretor.
Depois de sua saída do Colégio Internacional, Dabney dedicou-se integralmente à obra da propaganda religiosa. Pastoreou as Igrejas de Itapira, Itatiba e Mogi-Mirim; visitou Amparo, Bragança e Santa Bárbara e residiu em Jundiaí entre 1885 e 1888.
Enquanto residiu em Jundiaí, Dabney ocupou chácara de propriedade da família do Dr. Cavalcanti no largo de São Bento, ou seja, o missionário se inseriu no centro da cidade e da vida comunitária do povo. De acordo com Erasmo Braga, “todo o esforço então feito deu como resultado a conversão de Cherubina Franco” (LIVRO de Atas da Congregação Presbiteriana de Jundiaí, Vol. 1, p. 1). Cherubina Franco era casada com o tenente José Francisco de Oliveira, chefe de trem na Companhia Paulista, que se tornou amigo do evangelho, sem, contudo, professar sua fé (LIVRO de Atas da Congregação Presbiteriana de Jundiaí, Vol. 1, p. 1). Desde a primeira pregação presbiteriana em Jundiaí até a primeira adesão na cidade, passaram-se pelo menos 18 anos.
Depois do trabalho em Jundiaí, Dabney retornou para Campinas e lá foi acometido pela febre amarela, falecendo com 39 anos de idade no dia 9 de março de 1890.
Após Dabney, o trabalho presbiteriano em Jundiaí passou a ser supervisionado pela Primeira Igreja Presbiteriana de São Paulo. O Rev. Erasmo Braga oferece informação relevante para a compreensão da situação do presbiterianismo em Jundiaí no final do séc. XIX: “Por efeito de todo o trabalho, conseguiu-se reunir, depois de mais de 15 anos de trabalho, uma pequena congregação que possuía alguns móveis e mantinha uma sala de cultos, com contribuição da congregação” (LIVRO de Atas da Congregação Presbiteriana de Jundiaí, Vol. 1, p. 2).
Foto: Arquivo IPJ
Por: Rev. Thales Renan Augusto Martins