“E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou.” (Rm 8.30)
Ao tratar da salvação que Deus proporcionou a seu povo, livrando-o perpetuamente da condenação eterna por meio de Cristo (Rm 8.1), o apóstolo Paulo a vê e explica em termos de um pacote completo. Explico: todo aquele que recebe a bênção da justificação, necessariamente receberá também a glorificação futura, porque Deus justifica livremente a quem quer (Rm 3.24) e jamais permite que pereçam aqueles que lhe pertencem (Jo 10.28).
Na teologia reformada, tradicionalmente trata-se a denominada “ordem da salvação” (ordo salutis) da seguinte maneira: chamado eficaz, regeneração, conversão, justificação, adoção, santificação e glorificação. Todos esses “passos” da salvação são realizados pelo Senhor, embora na santificação haja também a responsabilidade do crente. Contudo, o ponto é: apesar de a Escritura mencionar diferentes “etapas” na salvação, nenhuma delas é descolada da outra, pois a salvação realizada pelo Senhor é integral. A consequência disso é a seguinte: os que hoje são justificados e estão lutando em sua santificação, já receberam a promessa de glorificação futura, mesmo que ainda sofram em seu atual estado pecaminoso.
O fundamento dessa grande salvação é Cristo. Ele, o começo e o fim de nossa salvação, foi estabelecido por Deus “[…] como o único de que necessitamos. Ele é a nossa sabedoria, nossa santidade e nossa redenção”.¹ Se pensarmos na justificação, Jesus, o justo, recebeu o salário da injustiça, e por causa disso fomos declarados justos diante de Deus. Se pensarmos na santificação, Jesus foi o Santo, aquele que nunca pecou, em cuja língua nunca se achou engano (Is 53.9). Se pensarmos na glorificação, Cristo é a primícia dos que dormem, aquele que ressuscitou dentre os mortos como primogênito, a fim de que ressuscitemos com ele em glória (1Co 15.20).
Sobre essa grande salvação, Van Dixhoorn comenta: “A admiração por tudo isso às vezes leva os cristãos a chorar de alegria ou rir com espanto – um tipo de risada de espanto que às vezes vem quando algo parece ser bom demais para ser verdade, mas ainda assim é verdade.”² Já pensou nisso? De fato, a salvação é boa demais para nós, mas ainda assim é verdadeira. Pelas obras da Trindade, nós a obtemos completamente: do chamado à glorificação, somos integralmente salvos.
Graças a Deus por seu dom inefável!
¹DIXHOORN, Chad, Van. Guia de Estudos da Confissão de fé de Westminster. 2ª ed. p. 180.
²IBID. p. 183.
Foto:ignitermedia
Por: Rev. Estevam Herculano